Diário do Falso-Vegetariano #5

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Vamos jantar no shopping?

VAMOS!!!

Vai nesse quiosque, vai naquele, vai naquele outro… o que é que mais tem no cardápio?

Carne. Deliciosa, suculenta, maravi… não, eu estou vegetariano.

Então vai daqui, vai dali, eu e minha esposa pensamos até em ir no Madero, mas os pratos sem carne de lá são terrivelmente caros. Até que nos deparamos com a deliciosa loja que vende panquequinhas. Pensei: “taí, aqui deve ter uma panqueca sem carne”.

No cardápio umas 40 opções de panqueca. A primeira, lógico, tem carne. A segunda também. A terceira, a quarta, a quinta… Quando cheguei na antepenúltima tive um alívio.

– PANQUECA DE RICOTA: molho rosè, ricota, cebola, cebolinha e tomate – R$13,90

Opa, partiu comer panqueca de ricota.

Como minha esposa não está vegetariana, pediu uma panqueca que, pra mim, é covardia: Carbonara, que tem bacon.

Passada a inveja, recebemos nossos pratos. Para minha surpresa, após alguns pedaços da panqueca de ricota, fiquei feliz em ver como eu estava curtindo aquele prato e deixado de lado a inveja do carbonara. A panqueca de ricota é leve e não me fez nada mal, caiu muito bem. Sempre que eu como alguma coisa com muito bacon, por mais delicioso que seja, sempre me sinto pesado (ainda mais com aquele carbonara em específico, que estava atolado de bacon).

Comentei com minha esposa que estou ficando preocupado, talvez eu esteja me viciando em vegetarianismo. Tipo: “só mais esse dia sem carne, amanhã eu volto a comer picanha”. Estou com medo de começar a colecionar dias sem carne, mas eu gosto tanto de uma carninha.

Ai meu Deus, dai-me forças para voltar a comer carne depois de passada essa experiência. Amém!!!

o Diário do Falso-Vegetariano #4

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Quarto dia do falso-vegetarianismo. Ontem passei pela primeira situação que imagino que meus amigos e amigas vegetarianos passam: as pessoas que não entendem o que a gente quer.

Numa padaria, chego para a moça do balcão:

– O que você tem aí de salgado sem carne?

– Tem esse aqui, de peito de peru…

– Pois é moça, mas veja só, peito de peru é carne.

1… 2… 3… PLIM!

Caiu a ficha da menina, enquanto as três colegas dela riam à pampas. E como o Brasil é o país do bullying, as amigas começam a incentivá-la:

– Oferece pra ele aquela esfiha de carne!

– Mostra pra ele o sanduíche de frango!

– Tem salgado de queijo e presunto também!

E riam às pampas sobre a pobre garota, que me atendia enquanto tentava resgatar sua auto-estima caída nalgum lugar da padaria, rindo de constrangimento.

O bom de tudo isso é que comi um salgado de ricota e uma esfiha de palmito que foram estupendas.

No mais, estou no aguardo do convite para o próximo churrasco da galera: a verdadeira prova de fogo!

O Diário do Falso-Vegetariano

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Começou como uma experiência simples, mas estou levando a sério. O desafio: eu, que amo uma boa carne, uma boa picanha e um frango à parmegiana, vou passar alguns dias sem comer nada de carne, nadinha, nadica.

Por quê? Porque quero ver como meu corpo reage sem carne, simples assim. Não quero virar vegetariano, quero só experimentar o que é que acontece quando paramos com o consumo de carne.

Tem algumas regras: continuo consumindo leite, mel, ovos e coisas que vêm dos bichinhos sem matá-los. O que não vale comer é o bichinho morto, de resto está valendo.

Ao escrever essa introdução já estou no quarto dia. Abaixo as primeiras “mini-postagens”, que começaram no facebook, mas que acabaram vindo pro blog.

Comente e me ajude a entender o que é esse tal “vegetarianismo”.

Diário do falso-vegetariano #1: almoço sem carne, com cenoura, alface, bruscheta de beringela e palmito assado. Tinha um tomate napolitano que me tentou, mas tinha presunto. Normalmente eu não considero o presunto como carne, presunto é tipo um tempero pro misto quente, mas hoje eu abri exceção e chamei aquele lindo de carne#saudadesdopresunto.

Diário do falso-vegetariano #2: nuggets é carne? E miojo sabor bolonhesa?

Diário do falso-vegetariano #3: almocei em casa e comi miojo sabor bolonhesa, apesar da Clarissa Oliveira ter me orientado que tem sim carne. Era ou isso ou pão de alho. Fiquei com o menos pior (sim, eu sei que miojo é o fim da picada, mas às vezes um miojo é o que tem). Mesmo assim considero um almoço sem carne, já que o bicho morto mesmo ali, assim, no duro, não estava no prato.

Sobre o que acho dos rolezinhos

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Diante de tanta, mas tanta conversa sobre os rolezinhos, decidi dar minha opinião. E minha opinião vale a pena? Tanto quanto a sua, caro leitor.

Li muito sobre o assunto, vi muitos vídeos, reportagens, postagens e matérias de jornal. Tirando uma ou outra opinião não-apaixonada, via de regra o que se vê é: ou a exposição do egoísmo e imbecilidade de uma direita que só consegue olhar para o próprio rabicó; ou a inocência de uma esquerda que acha que por ser pobre não pode ser bandido.

Pra mim fica o recado para ambas as frentes: pobre não é sinônimo de bandido e necessita sim ter suas necessidades atendidas e direitos garantidos; e sim, exite pobre bandido, assim como existe rico bandido. A diferença está na aplicação da pena.

Vi, por exemplo, a Raquel Sheherazade (não parece que está sobrando letra no nome dessa cidadã?) falando sobre o assunto e estampando no SBT o que pode haver de mais idiota na opinião de uma pessoa. Segue o vídeo:

Raquel consegue cagar pela boca em cada um dos 58 segundos do vídeo. Por quê? Porque claramente defende o direito do rico, falando com todas as letras que rolezinho é igual a arrastão. Ao dizer isso, ela afirma que todo e qualquer cidadão participante do movimento está lá para roubar; a “jornalista” acusa o “bandido” que jamais roubou, Raquel diz sim que pobre é sinônimo de bandido.

Posso imaginar muita gente concordando com ela, li muitas pessoas no facebook inclusive dizendo coisas do tipo “queria ver você lá, quando sua família fosse arrastada por todo mundo e você sem poder fazer nada”. Ao que me parece não houveram casos de sequestro. Não vi ninguém, pelo menos, indo pro jornal e falando “eu estava no shopping, quando veio uma multidão de pobre que pegou minha família e sumiu com ela. As autoridades precisam fazer alguma coisa”. Se isso aconteceu, por favor me passe o link da reportagem. Mas entendo sim o susto do cidadão de classe média (gente, não estou falando “classe média” no sentido pejorativo, estou falando do cidadão de bem mesmo, o cara que tem seu dinheirinho, vai ao shopping com a família, não é racista, não é fascista nem nada). Imagino que possa ser um pouco assustador ver o shopping tomado por quem geralmente não está lá. Provavelmente eu me assustaria se visse uma galera fazendo zoeira na escada rolante, por exemplo, como vi nalguns vídeos. Mas esse susto se daria provavelmente muito mais pela surpresa de ver algo tão fora do habitual do que por achar que o shopping foi tomado por ladrões. Por isso também não tenho o opinião ingênua que muitos defensores têm de achar que o susto do cidadão de classe média trata-se APENAS de preconceito. Uma mania muito feia que muita gente de esquerda tem é querer possuir o monopólio da virtude: se não é de esquerda, é homofóbico, racista, fascista, etc…

Infelizmente não tenho o link, mas vi amigos de facebook compartilharem um vídeo de pessoas, que pareciam ser do rolezinho, subindo em mesas da praça de alimentação e derrubando tudo. A isto sim eu chamo de depredação do patrimônio e está longe de manifestação pacífica. Isto sim é crime, isto sim deve ser punido.

Mas quem deve ser punido?

Quem cometeu o fato, oras. O que ocorreu em alguns shoppings que conseguiram a liminar do apartheid foi que considerou-se o pobre como criminoso pelo simples fato de parecer pobre: é menor, é preto, é pobre, está desacompanhado? Se sim, é criminoso e com certeza vai roubar e destruir. Isso é que não dá, isso é que não pode, Arnaldo!

Quer a prova de que trata-se de preconceito contra o pobre? Aliás, que trata-se do preconceito especificamente do pobre  “hip-hop” ou do pobre “funk”? Leia esta matéria da Gazeta do Povo:

http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1439143

Pobre evangélico e branco? Problema nenhum. Pobre preto e com cara de “mano”? Nem entra. Cheguei a ver, pasme, gente falando que o rolezinho evangélico é mais um “flash mob” e que o rolezinho dos grandes jornais é “arruaça”.

Além de tudo isso, vi os intelectuais que querem levantar teorias sociais sobre os ocorridos. Vi também muita gente diminuindo a opinião destes intelectuais com o argumento de que “os participantes do rolezinho não querem nenhuma mudança social, não estão atrás de política, querem somente bagunçar/passear/dar um rolê/dar uns beijos”. De fato creio que muitos, ou até todos os participantes não tenham a intenção de promover algum movimento político ou alguma palavra de ordem social. Isso não quer dizer, no entanto, que eles não tenham feito exatamente isso: ao dar o rolezinho, estes jovens fizeram florescer e mostrar que o brasileiro é sim racista e que nossa classe média tem sim nojo e medo de pobre. E por este fato os intelectuais podem e devem teorizar a respeito.

Um documentário bem interessante sobre o assunto, que data de algum tempo atrás, fala sobre esse tema e teoriza sobre o passeio dos pobres no shopping:

Isto posto, preciso emitir minha opinião: todos têm direito a passear, ir ao shopping, se divertir. Não se engane com a opinião da querida Sheherazade que diz que são espaços privados. Não são. São espaços públicos e o verdadeiro criminoso é aquele que se recusa a atender um cidadão em espaço comercial por motivo de cor, orientação sexual, classe social, religião, etc.

“Mas Diego, e os arruaceiros/criminosos/ladrões que estão no meio dessa galera?”. Respondo: se estão lá, que sejam presos, independente se estão comendo pão com mortadela da padaria do seu Pedro ou Temaki Filadélfia na praça de alimentação. Mas criminoso só é criminoso se comete crime, e, até onde sei, ser pobre no Brasil ainda é legal.

A dura vida de um machista

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Pegar mulheres, ter ereções, não brochar, levantar a tampa do vaso, abaixar a tampa do vaso, ser viril, vestir-se como macho, agir feito um macho, não chorar, ter músculos, ser forte, beber, beber até cair, pegar mulher sem que a esposa saiba, dar conta da esposa, dar conta da amante, falar palavrão, comandar o controle remoto, dar cantadas em mulheres na rua, ser cavalheiro, controlar mais de 80% do mercado televisivo, cinematográfico,  esportivo, corporativo e político, contratar mulheres para não parecer machista, ter o corpo em forma para mostrar na praia, ter dinheiro para comprar som alto pro carro, ter um bom carro, ter um pênis maior que 17cm, jogar futebol,  deixar a louça por lavar, deixar a roupa por lavar, deixar o banheiro por lavar, colocar a mulher para trabalhar em casa e fazer chamegos dizendo “eu te amo” para equilibrar a relação, administrar seu espaço, fazer comentários machos ao ver mulheres semi-nuas na TV, ser obrigado a ver de vez em quando homens semi-nus na TV, aturar TPM, presentear com chocolate, suportar as feministas, suportar os feministas, falar mal de homossexuais, mandar a mulher passar a roupa, mandar a mulher lavar a louça, mandar a mulher limpar a casa, dar uns tapas na mulher quando necessário, defender-se da “Maria da Penha”, ter que contratar um bom advogado, pagar cesta básica, pagar fiança, pagar serviço comunitário, criar argumentos que reflitam a supremacia do homem, ter que defender esses argumentos contra mulheres reclamonas que querem porque querem ter os mesmos direitos do macho…

Realmente, ser macho no Brasil é muito mais difícil que ser mulher, coitadinhos…

Porque mudei de opinião sobre cotas raciais em universidades

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Este texto talvez ajude o caro amigo que tenta convencer o nobre colega de que cotas raciais em universidades não são uma coisa ruim. Isto porque eu, blogueiro que vos escreve, tinha uma opinião parecida com a do nobre colega, mas mudei a tempo de perceber que era um pensamento retrógrado e cômodo.

Sim, queridos amigos. Até semana passada eu não era a favor de cotas raciais em universidades. Os motivos não são os clichês “a cota aumenta o racismo” ou “isso dá ao negro o alvará de incompetente”. Na verdade meus argumentos não tinham o racismo como prerrogativa, mas a lógica. Só que a lógica, meus caros, vai até o limite que a cabecinha quer. Eis os meus argumentos para não ser a favor de cotas raciais.

Por que eu não era a favor

Falo “não era a favor” porque, de fato, nunca fui contra. Para ajudar a definir os termos, “ser contra”, na minha concepção, é achar que as cotas trazem algo de ruim à sociedade; ao passo que “não ser a favor” não implica, necessariamente, em achar que as cotas trazem algo de negativo.

Enfim, meus argumentos eram os seguintes: levemos em conta o critério de seleção do vestibular. Trata-se de uma prova, um teste, com perguntas e respostas sobre o que o aluno aprendeu (ou não) nos últimos anos. Ora, se o critério é um teste e se o cartão-resposta do vestibular não quer saber se você é negro ou branco, então não podemos reservar vagas para negros, mas para quem teve uma educação deficiente.

Isto posto, as cotas para quem estudou em escolas públicas me parecia mais justa e suficiente. Nisso, o interlocutor poderia dizer: “mas pobres brancos e pobres negros têm tratamento diferente na escola. O negro tem sua auto-estima automaticamente reduzida, o que prejudica seu aprendizado”. Nisso não posso discordar, como nunca discordei. Mas se formos então levar em conta a baixa auto-estima de quem sofre discriminação, deveríamos também levar em conta cotas para homossexuais, transgêneros, obesos, deficientes físicos… Dizia isso baseado simplesmente no princípio da igualdade: se o negro sofre (como de fato sofre) esse tipo de discriminação e se esse é o fator dominante para termos cotas raciais em universidades, então precisaríamos criar cotas para as outras minorias igualmente prejudicadas. Como é algo inviável, eu sempre dizia “não ter a cota é o mais justo”.

A outra cota

Por outro lado eu sempre afirmei que deveriam existir cotas raciais em empresas e contratações, pois o critério de seleção nestes estabelecimentos é muitas vezes baseado na aparência do candidato. Num patamar justo do estado do Paraná, por exemplo, em que cerca de 28% da população é negra, deveríamos ter cotas de, no mínimo, 28% das vagas para afro-descendentes.

Isso eu sempre defendi e sempre acreditei.

Porém…

Porém minha argumentação caiu por terra ao avaliar os números que não batem. No meu mundo ideal de antes, as cotas raciais se aplicam em empresas, mas não em universidades. Ora, num cenário como esses eu estou pedindo que as empresas contratem uma mão-de-obra que não existe. Como vão contratar alguém capacitado sem nível universitário, certo? Desse jeito o negro, população ainda minúscula na universidade, não terá um cargo alto nesta empresa que quer contratá-lo. Eis o buraco e eis a compreensão de que a cota racial em universidades é importante, necessária e democrática. Só podemos ter brasileiros negros em altos cargos se tiverem a oportunidade real de estudarem. Caso contrário, continuarão a ocupar cargos com menores salários.

Eis minha mudança de pensamento.

Espero que quem tenha a opinião que eu tinha possa ler este pequeno artigo e mudar o pensamento. Eu demorei uns dez anos…

Pequena crítica à esquerda

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Começo hoje minha postagem com um comentário do vídeo com o pensamento reto do querido Guilherme.

Eu me considero um cara de esquerda, entendendo como “esquerda” a tendência a ser simpático a movimentos sociais que lutam pelas classes menos favorecidas e/ou minorias sociais (não tem nada a ver com o PT, tá?).

Ultimamente tenho visto (e recebido, às vezes) vários tapas na cara da dita “esquerda”.

Não, não… vamos melhorar isso: não é da esquerda, mas de algumas pessoas que se dizem de esquerda.

Vejo isso em pequenas ações do dia-a-dia. Eu, branco, por exemplo, tenho que calcular muito se for falar de cor, raça e descendência, pois, por mais que eu seja simpático à causa negra e esteja a milhas de distância do racismo, posso a qualquer momento ser categoricamente taxado de racista simplesmente por ser branco, “eu não sinto isso na pele”.

Algumas pessoas da esquerda não estão medindo esforços para apontar o dedo a qualquer tema que alguém discorde de sua causa, agindo exatamente como a direita que criticam. A diferença? Explico: a direita (não, não… vamos melhorar isso: algumas pessoas da direita) aponta o dedo para militantes – que muitas vezes são super “paz e amor” –  e já sai expurgando com gritos de “vagabundo”, “feminazi”, “gayzista”. Algumas pessoas de esquerda também, ao identificarem qualquer pequeno deslize, apontam o dedo sem pensar com seus “homofóbico”, “racista”, “machista”!

Calma, calma meus queridos… isso não é diálogo. Sempre aprendi que diálogo se faz com pessoas civilizadas e que se respeitam entre si. Temos que partir do princípio não que o outro é racista ou vagabundo, mas de que o outro é um ser humano bom, inteligente e decente (a menos que se prove o contrário por A + B).

Feito o meu pequeno desabafo, coloco o vídeo citado logo abaixo para os queridos e queridas tirarem suas conclusões.

Podem comentar, mas sem ódio nesse coraçãozinho, tá?